

Cem anos ao lado de Limeira: uma trajetória construída por uma família, gerações de clientes e um compromisso que atravessou o século.

O local, uma “vilinha” chamada Polops, na serra de Granada, era tão pequenina que era habitada praticamente por duas famílias: os Rodriguez e os Lopez.
A crise econômica na Espanha no século XIX foi bastante profunda. Iniciou-se já no início do século com invasões napoleônicas em 1808 e a destituição do rei Fernando VII, que mergulhou o país numa instabilidade política e econômica, provocando um colapso do governo central, a interrupção do comércio colonial e o início da Guerra Peninsular, esgotando os recursos do país. Essa crise foi aprofundada com o início dos movimentos de independência na América espanhola, que cortou o fluxo de metais preciosos e matérias-primas que sustentavam a economia do país.
A crise se estendeu por praticamente todo o século. Na década de 1850 até 1860, a Espanha enfrentou graves crises agrícolas de subsistência que assolou fortemente a Andaluzia e a Galiza até o final do século. No final do século XIX, se configurou um período complexo com declínio industrial, agrícola e colonial. A guerra hispânico-americana resultou na perda das últimas colônias em 1898. A perda de Cuba, Porto Rico e Filipinas, pôs fim no império ultramarino espanhol. Isso causou um colapso comercial, perda de receitas fiscais e um forte sentimento de fracasso moral político.
A consequência foi a migração em massa, principalmente das regiões afetadas pela crise agrícola de subsistência. Foi quando o Vô Frasquito disse à Vó Dolores que viria tentar a sorte no Brasil e que depois viria buscá-la.
Em resposta, a sábia Vó Dolores respondeu: “se você vai, eu vou também, e vou é agora”.
E assim chegaram ao Brasil no Porto de Santos.
Na época, o café estava surgindo como um produto forte na economia do Brasil e o Vô Frasquito, embora tenha trazido algumas economias, foi trabalhar como colono na Fazenda Santa Gertrudes, em Rio Claro-SP. Ali, além de trabalhar na lavoura da fazenda, tinha um pedacinho de terra para cultivo próprio. E com isso já começa a plantar e fazer vendas pequenas para os demais colonos da fazenda. Sempre cuidadoso, foi somando o dinheiro que ganhava. E com esse dinheiro acrescido às economias que trouxe da Espanha, comprou um pedaço de terra ao pé do Morro Azul, em Limeira, a “Chacrinha”.
Naquela época, o Morro Azul abrigava famílias da aristocracia portuguesa, que usavam a casa do Morro Azul, hoje museu, como ponto de descanso entre as viagens longas. Ali, havia várias famílias que trabalhavam na lavoura e como empregados na casa. O Vô Frasquito logo teve a ideia de comercializar bens de primeiras necessidades. Fazia compras nas cidades da região e armazenava na Chacrinha, vendendo às pessoas que por ali moravam ou passavam. Aliás, há pouco tempo, ainda poderia ser visto no Museu do Morro Azul, cadernetas do “Armazém do Frasquito”, em que as compras eram anotadas para serem pagas quando recebiam os salários.
Contaram-nos que o Vô Frasquito era muito criterioso, mas a Vó Dolores tinha um coração generoso. Muitas vezes, pessoas mais humildes iam ao armazém para comprar comida, mas não tinham crédito por já estarem devendo uma grande soma. O Vô Frasquito fazia “pé firme”, mas quando a pessoa saía do armazém, a Vó Dolores estava à espera com alguma coisa que pudesse amenizar a fome, entregando no portão dos fundos alguns víveres que conseguia doar.
Foi assim que o patrimônio foi crescendo e o empreendedor Vô Frasquito abriu, agora na cidade de Limeira-SP, o Armazém Frasquito, que ficou muitos anos sob o domínio de um dos filhos, o Manuel, e depois, de um sobrinho que tinha o mesmo nome do avô, o Francisco, o “Chiquinho da venda”.
Mais tarde, com os filhos já adultos, os filhos Francisco e Manuel voltaram para Rio Claro e lá se estabeleceram. O Francisco com um armazém de secos e molhados, e o Miguel com um hotel no centro de Rio Claro-SP, que hospedou muita gente por muitos anos.
Consolidando os negócios e surgindo automóveis no Brasil, não tardou a ampliar estabelecendo um posto de gasolina e uma oficina para consertos dos automóveis que já circulavam na cidade da região. O filho Ricardo, ficava encarregado de acompanhar esse novo negócio, mais tarde ficando ao encargo dos sobrinhos Renato e Roberto na oficina e na contabilidade e Milton e Paschoal no posto de gasolina.
A sabedoria do casal e o espírito empreendedor do Vô Frasquito fizeram com que a família vivesse de maneira adequada até os nossos dias. A importância que davam não para o dinheiro, mas para o trabalho, o estudo e uma base sólida de caráter fez a diferença.
Sempre ouvimos falar que o “dinheiro poderia acabar, mas que a capacidade para o trabalho sempre faria a diferença para que se tivesse uma vida decente”.
Não sei se algum dia chegaram a ser ricos, talvez sim, mas a base que nos deram fez com que em uma família grande como a nossa, todos trabalhassem e ainda trabalham para ter uma vida guiada pelos princípios que herdamos.
Um relato contado pelas bisnetas: Regina Lucia, Maria Luisa , Maria Lucia, Nilmes e Eliane Rodrigues.




Registros históricos • Família Frasquito
Há um século servindo Limeira com respeito, dedicação e confiança.
Endereço
R. Treze de Maio, 687
Centro • Limeira – SP
CEP 13480-171
Telefone
(19) 3452-1088